Como identificar e lidar com depressão, pânico e estresse para melhorar a qualidade de vida.


Depressão

A depressão não é um fenômeno novo. Em todas as épocas houveram pessoas acometidas pela tristeza e que desesperadas, buscaram ajuda e esclarecimento.

A depressão é um sofrimento, é um estado incapacitante que afeta milhões de pessoas, causa enorme sofrimento emocional, interferindo no dia a dia das pessoas e das famílias, prejudicando o trabalho e aumentando o risco de doenças e em certos casos pode mesmo levar ao suicídio. Não faz distinção de classe social, não observa limites de idade e qualquer pessoa pode ficar deprimida a qualquer momento, e nem mesmo a fama, a riqueza, uma vida considerada satisfatória -vista de fora- conseguem preencher o vazio interior da pessoa vítima da depressão.

Mas aflição, desgosto, tristeza, não são o mesmo que depressão. Então como fazer para reconhecê-la?

Podemos reconhecer a depressão analisando e avaliando os afetos, o pensamento, o comportamento, as relações sociais e os sintomas físicos.

Afetos: o deprimido apresenta sombrio estado de ânimo, tristeza, melancolia, desespero, angústia, tensão, medo, culpa, vazio, raiva, perde o interesse pela vida e não faz qualquer tentativa para ajudar a si próprio. Não consegue alegrar-se com mais nada, não alimenta mais esperança, não acredita mais em si mesmo e nem nos outros e, caso tenha sido crente, também não acredita mais em Deus, além de ser incapaz de tomar decisões. Uma pessoa apenas triste ainda é capaz de lidar com isso que acabamos de relacionar.

Pensamento(s): padrões pessimistas de encarar a vida são o centro do pensamento depressivo. O deprimido rumina sobre seu passado e cobre-se de remorso, culpa. Imagina soluções mágicas ainda que tenham pouca ou nenhuma esperança.

Comportamento: o deprimido é indeciso, passivo e tem tendências suicidas, apresenta lentidão mental e física e prefere atividades socialmente isoladas.

Relações sociais: o deprimido deseja o amor (atenção) dos outros, mas falha em corresponder de modo a recompensar o companheiro ou em reforçar a relação. Tem sentimentos de inveja e raiva que procura reprimir o que agrava o seu desespero.

Sintomas físicos: o deprimido tem preocupação com sua saúde física ou corporal que pode chegar a hipocondria (mania de doença). Os demais sintomas são: dificuldade em conciliar o sono, desperta (acorda) muito cedo, fadiga (cansaço), perda do apetite, constipação intestinal ou diarréia, perda da libido (desejo sexual diminuído), dor de cabeça, pescoço, costas, outras dores e sofrimento, secura e ardência na boca com gosto desagradável.

O deprimido apresenta redução importante da autoconfiança e da autoestima e a causa mais comum da depressão é a perda de um objeto de amor (vivo ou material), o abandono pelo objeto de amor gera raiva.


Síndrome do pânico

Pânico é por definição aquilo que assusta, súbita e violentamente, sem motivo.

O que se chama genericamente de crise de pânico é algo semelhante à seguinte situação: imagine-se andando despreocupadamente em plena luz do dia, quando de repente, fugindo de um circo, aparece a sua frente um leão faminto. Você terá naturalmente uma reação aguda e intensa de medo, expressa por sintomas de ansiedade psicológica (pavor mental) e física (palidez, palpitação, falta de ar, suor intenso, boca seca, etc). Estas reações do organismo podem ocorrer também sem que se identifique estímulos externos que os justifiquem, provocando igualmente uma crise de ansiedade e uma crise de pânico.

A crise ou ataque de pânico é um período de intenso medo ou desconforto, no qual 4 (quatro) ou mais dos seguintes sintomas se desenvolvem subitamente e atingem maior intensidade em período de 10 (dez) minutos:

  1. Palpitações (coração batendo forte e rápido).

2. Suor abundante (sudorese).

3. Tremores ou sacudidas pelo corpo.

4. Sensação de falta de ar ou de sufocação.

5. Sensação de afogamento.

6. Dor ou desconforto precordial (área de projeção do coração).

7. Náuseas ou desconforto abdominal (barriga).

8. Tontura, instabilidade, cabeça leve ou sensação que vai desmaiar.

9. Desrealização (sentimento de irrealidade) ou despersonalização (sentir-se distanciado de si próprio).

10. Medo de perder o controle ou enlouquecer.

11. Medo de morrer.

12. Formigamentos ou amortecimento de segmentos (partes) do corpo.

13. Ondas de calor ou frio

Esses são os sintomas mais frequentemente encontrados, o que não exclui a possibilidade de outros estarem presentes.

Em geral, o ataque de pânico dura de 10 (dez) a 30 (trinta) minutos, mas eventualmente pode ser mais prolongado.

Os sintomas podem variar um pouco de um indivíduo para outro ou, no mesmo indivíduo de um período para outro, porém os sintomas básicos são encontrados em quase todos os indivíduos, independentemente de sexo e do contexto sócio econômico cultural.

A frequência e intensidade dos ataques de pânico variam de intensos e frequentes a leves e esparsos com diferentes combinações.

a. Ataques intensos durante um período e sintomas menores pela maior parte do tempo.

b. Ataques menores por anos ou décadas e eventualmente uma crise maior ou o inverso.

c. Crises menores ou intensas, seguidas por um período de dias, semanas ou meses, praticamente sem qualquer sintoma, etc.

A Síndrome do Pânico pode ser desencadeada ou agravada por fatores emocionais ou estresse de tipo:

  1. Físico: acidente, cirurgia, parto, doenças em geral, etc.

2. Psicológico: pessoal, profissional, social, ou

3. Após uso de drogas: maconha, cocaína, alucinógenos, etc.

Fatores genéticos e experiências da primeira infância levando à fragilidade psíquica e à ansiedade de separação são citados como causas e a medida que nas crises vão se repetindo, os pacientes podem desenvolver as seguintes complicações: ansiedade entre as crises, hipocondria, fobias de situações em que se sentem vulneráveis ou desprotegidos.

Daí, surge a ansiedade de antecipação que, por sua vez, alimenta as fobias (agorafobia, sentimentos de insegurança e dependência), às quais podem levar à auto-desmoralização, à depressão e ao abuso de álcool ou drogas para alívio das sensações desagradáveis.

O medo permanente de passar mal (medo de ter medo) leva a pessoa a recusar convites para festas comemorativas, batizados, casamentos, passeios, viagem de férias, etc. Dessa forma os amigos vão se afastando e há um isolamento social progressivo.


Estresse

O estresse pode ser um dos maiores fatores de risco para a vida e para a qualidade do viver de todos, idosos, adultos, jovens, adolescentes ou crianças. A pessoa estressada não se sente bem, não consegue produzir de acordo com seu potencial, não interage com as pessoas ao seu redor como gostaria, não ama com a liberdade necessária, não tem a motivação necessária para alcançar metas difíceis, corre um grande risco de adoecer e pode morrer antes da hora.

No entanto, se a pessoa aprende a lidar com seu estresse, este pode ser útil, pois em doses pequenas ele dá energia, vigor, coragem, força, vontade de fazer coisas novas, aumentar a produtividade e melhora a qualidade de vida do ser humano. O segredo está em controlar o estresse e não ficar sob o seu comando.

Hans Selye, um médico austríaco, denominou estresse o fenômeno da “síndrome de estar apenas doente” ou “síndrome de adaptação geral” que envolve uma série de sintomas que o indivíduo apresenta quando submetido a situações que exijam uma importante adaptação do organismo para enfrentá-las.

O estresse é um dos mecanismos básicos de reação do organismo e até certo nível benéfico, portanto é impossível eliminá-lo de nossas vidas. O que é prejudicial é o excessivo que devemos combater para alcançar maior qualidade de vida, pois em excesso o estresse desencadeado mantém e agrava doenças.

O estresse evolui em 3 fases ou etapas subsequentes:

1.ALERTA (alarme): ocorre quando o indivíduo entra em contato com sua fonte de estresse, e, a partir daí, apresenta algumas sensações típicas, tais como: suor excessivo, palpitações, respiração ofegante, entre outras. O organismo, nesse momento, perde seu equilíbrio interno à medida que se prepara para enfrentar a situação à qual necessita se adaptar às sensações desagradáveis experimentadas são na verdade, necessárias para que o organismo tenha condições de reagir. Essa reação é fundamental para a sobrevivência do indivíduo.

2. RESISTÊNCIA (luta): ocorre quando o orgasmo tenta se recuperar do desequilíbrio sofrido na primeira fase. Nesse momento gasta-se muita energia e com isso surgem sinais de desgaste, como cansaço excessivo, esquecimento e auto dúvidas. A recuperação ocorre quando a pessoa consegue resistir através da adaptação ou eliminando os agentes estressantes o que leva ao reequilíbrio. Se, no entanto, a pessoa não consegue atingir uma harmonia interna, equilibrando suas forças, então o processo de estresse pode resultar no início da fase de exaustão.

3. EXAUSTÃO (esgotamento): é a fase mais perigosa, alguns sintomas da primeira fase aparecem, só que agora agravadas, havendo um maior comprometimento físico em forma de doenças.


Medidas úteis para conseguir maior equilíbrio emocional

1.Assuma a autoridade sobre sua própria vida e procure pautá-la por atitudes em que você se sinta bem consigo mesmo.

2. Desvencilhe-se do modo de vida a base do “ter”, viva de forma a não ter medo de perder, mas procure manter um bom equilíbrio financeiro.

3. Conheça os seus limites e respeite-os.

4. Não assuma o estilo de vida corrido e competitivo, e se ele já existir na sua vida desvencilhe-se dele.

5. Mantenha sempre mais de uma área de interesse em sua vida.

6. Enfrente com decisão suas crises de desajustamento.

7. Aprenda a gostar do trabalho, ou mude para uma empresa cujos valores sejam mais afinados com os seus.

8. Mantenha a vida simples.

9. Diante das adversidades, adote postura de simpatia e procure conciliar e sempre conciliar.

10. Enfrente as adversidades procurando obter delas ensinamentos capazes de transformá-las em vitória no futuro.

11. Desenvolva o hábito de enfrentar o inevitável de forma inteligente.

12. Não deixe que coisas irritantes perturbem seu humor.

13. Procure ver o lado positivo das coisas.

14. Aprenda a gostar das pessoas.

15. Desenvolva o hábito de dizer coisas agradáveis.

16. Faça do momento presente um grande sucesso.

17. Mais oito fatores a considerar, reto pensar, reto atuar, reto verbo, reto esforço, reta maneira de ganhar a vida, compreensão, vontade, amor e paz.

E por falar em equilíbrio, recordamos que para alcançá-lo são necessários investimentos na educação, no trabalho, na criatividade, no lazer e na espiritualidade (ética) do ser humano.


Dr. Eros Danilo Araújo.

Médico do Trabalho e Psicanalista

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